Teste
Minha experiência trabalhando em um Provedor de Internet
Desde o começo de 2025, eu trabalhei por alguns meses em um provedor de internet regional do Paraná. Eu atuei como suporte técnico em um call center, atendendo demandas de clientes PF e PJ, sendo elas administrativas, financeiras, ou pior de tudo, o próprio suporte técnico. Aqui estão algumas considerações sobre o ramo de telecomunicações e internet, considerando o ponto de vista do trabalho como suporte técnico:
Trabalhar em um call center em si já é um trabalho complicado, muitas pessoas atribuem esse tipo de local ao “telemarketing” onde o operador que trabalha lá está atuando na captação de novos clientes. No caso do meu trabalho, eu não atuava com vendas nem nada do tipo, apenas atendia clientes que estavam tendo problemas com os serviços prestados pela empresa. E uma das coisas que você mais aprende nesse tipo de trabalho é que, em grande maioria das vezes, o cliente é somente ignorante.
Vamos lá: a Internet em si é um mistério de diversas abstrações, e a forma com que o sistema que utilizamos hoje em dia incide uma responsabilidade por ambas as partes, o provedor de internet e o provedor do conteúdo. A grande maioria dos conteúdos acessados hoje em dia por um cliente residencial são aqueles relacionados a redes sociais, depois temos os acessos de mídia de entretenimento ou outros, como os serviços de streamings que são legalizados e também o YouTube, depois temos aplicativos de mensagem, Internet Banking, videogames, e a lista continua até os acessos mais nichados.
O importante é que a Internet é um projeto de colaboração. O seu provedor de internet tem a responsabilidade de levar o seu acesso até o roteador de borda em algum ponto de presença deles, a partir desse momento já se passa a ser responsabilidade do conteúdo, e o conteúdo e provedor de internet precisam ser rápidos para que você como usuário tenha uma boa experiência com eles.
É como funciona uma rodovia, por exemplo: os provedores de internet vão construir as ruas e rodovias que conectam o conteúdo com os clientes, mas o conteúdo em si é o carro que anda nessa infraestrutura, então não é possível funcionar sem uma boa ação dos dois lados.
Muitas vezes eu e meus colegas estávamos lidando com pessoas que por não entenderem esse conceito, colocam toda a culpa na lentidão ou dificuldades de acesso no nosso colo, e isso ocorre por que o cliente não tem mais ninguém para se responsabilizar imediatamente, então quando ocorre um problema no conteúdo, ou então na rota que compõe o acesso do cliente, a ISP acaba sendo culpada. Além de faltar essa noção para o cliente, às vezes também temos casos muito comuns de usuários de dispositivos TV Box ou outros acessos IPTV, serviços que na legislação brasileira são ilegais, e claramente não podemos prestar suporte ou garantir acesso a eles. Entenda que eu não sou contra pirataria, aliás sou a favor, mas a pirataria que eu defendo é um movimento político e social, é uma forma de lutar contra a mercantilização constante dos serviços e empresas que disponibilizam conteúdo, além das desigualdades sociais. Um terceiro usar a pirataria como forma de renda e lucro é uma afronta a essa ideia, por isso sou contra serviços pagos desse gênero.
Outra dificuldade grande com provedores de internet hoje em dia é o método de conexão da rede local do cliente. Isso é, se ele usa os seus dispositivos via wi-fi, a grande maioria, ou conectados via cabo de rede.
O wi-fi, como todo meio de transmissão de dados sem fio, é sujeito a lentidão e perda de sinal conforme distância e outros fatores, e como isso acontece no nível local da rede, pouco importa como está a sua saída do tráfego para a internet na totalidade, se a conexão do seu dispositivo com o roteador não é boa, sua experiência na internet não vai ser.
Isso incide um problema ainda mais devido ao modo que provedores de internet costumam vender os seus serviços para os clientes hoje em dia, que é por quantidade de “megas”, o que é um sistema falho, porque dá aos usuários do serviço uma noção falsa de que “mais megas é melhor” ignorando os fatores mais importantes do uso da internet, como o problema do wi-fi na rede local.
Banda é importante, eu mesmo em casa tenho um plano de um gigabit por segundo com esse mesmo provedor por que os meus usos em casa justificam esse tipo de velocidade, mas isso não é verdade para a maioria dos usuários, na minha casa mesmo eu administro a rede local, e é muito mais importante a boa cobertura de wi-fi que implementei em todos os meus ambientes do que a velocidade total do plano em si.
O seu provedor de internet precisa trabalhar com você e compreender as suas necessidades na sua casa e no seu convívio com a internet. Seria muito mais interessante lhe vender um serviço de cobertura por cômodos, por metro, em vez de vender velocidade. A cobertura de wi-fi para a grande maioria dos clientes se faz muito mais importante que a banda.
Trabalhar com o suporte ao cliente é muito cansativo: eu ficava muito frustrado, particularmente porque os problemas quais eu tinha que lidar eram gerados pela falta de conhecimento dos clientes, e eu fazia o meu melhor para tentar educar e guiar eles ao conhecimento, mas é difícil. Como o provedor atuava com redes de fibra óptica FTTH e FTTA, tínhamos sempre os problemas causados pela fragilidade dessa infraestrutura, rompimentos causados por caminhão, poda de árvores, sabotagem e falha mesmo dos nossos próprios técnicos.
Atuar no suporte de clientes PJ geralmente era mais fácil. No provedor que eu trabalhava existiam duas modalidades: contratos de banda larga e contratos dedicados. Os clientes da banda larga costumam ser clientes de comércios e estabelecimentos menores, mas que ainda incidem uma necessidade de internet com mais confiabilidade e SLA menor, enquanto os clientes dedicados são todos empresas maiores, com infraestrutura particular.
Alguns clientes PJ vão agir que nem um cliente residencial, e às vezes se impondo até mais, visto que eles estão num direito contratual de cobrança maior com o serviço prestado. Já os clientes dedicados, ainda mais ainda, porém o diferencial é que você está conversando com um profissional de TI no outro lado, e geralmente quando eles entram em contato, é devido a um problema que você só precisaria escalar para o seu setor de TI, ou então um problema de infraestrutura mesmo, como rompimento de fibra.
Posso dizer que saí com uma experiência positiva da empresa até que acabei pedindo a minha demissão devido ao esgotamento geral com a área e função, já estava adoecendo fisicamente pelo estresse do trabalho. Mas não posso negar que aprendi muito, tive uma visão de mundo expandida, notando especialmente o quão ignorantes os clientes eram em questão do serviço que eles mesmos contratam. (O que acabou até me inspirando para o TCC da faculdade) Eu também estava ganhando uma quantia boa de dinheiro, ainda mais comparado com os meus pares e amigos próximos. De qualquer forma, nunca possui o perfil para esse tipo de trabalho, mas acabei saindo mais esperto e também muito mais empático com as pessoas que estão nesse tipo de função.
Meu Primeiro Post
Decidi iniciar esse blog para documentar algumas coisas sobre o meu convívio e também pra falar sobre as tecnologias que eu uso no dia a dia.
Inicialmente, vou descrever o setup atual deste site que você está lendo!
O site é feito com o hugo, ele é um CMS, content management system, que gera páginas HTML estáticas baseadas em um diretório que contém as páginas do seu site em markdown. O tema que eu utilizo é o terminal, feito pelo Radek Kozieł (panr).
Usando o Hugo, eu escrevo o conteúdo de um post no site usando markdown, que é uma linguagem de “mark up”, similar ao HTML, usamos ela pra escrever plaintext com definições de elementos, para facilitar e complementar a leitura.
O markdown é útil por que a definição dos elementos é bem mais simples do que no HTML, tudo que você faz no markdown é possível via HTML, mas é mais simples de fazer
Markdown:
# Heading 1
## Heading 2
### Heading 3
- List item 1
- List item 2
- List item 3
**Bold Text**
*Italic Text*
O mesmo conteúdo porém escrito em HTML:
<!DOCTYPE html>
<html>
<head>
<title>Page Title</title>
</head>
<body>
<h1>Heading 1</h1>
<p>This is a paragraph.</p>
<ul>
<li>List item 1</li>
<li>List item 2</li>
<li>List item 3</li>
</ul>
</body>
</html>
Eu defino todo o conteúdo dos posts nesses arquivos markdown, e então o programa converte isso em arquivos HTML que eu posso hospedar na Internet.
Quanto a hospedagem em si, está sendo feito em uma máquina ARM ampere na Oracle Cloud Infrastructure (OCI) A oracle possui uma política de “Recursos Always Free”, que nos permite algumas configurações de máquinas virtuais ARM ou x86 de forma gratuita mês a mês. (Você pode conferir mais aqui.
É recomendável exercer cautela e bastante pesquisa antes disso, por que a Oracle tem reputação de ser uma empresa muito sombria e inacessível, os termos de uso da OCI em si são ENORMES, e o método de pagamento padrão é o Pay as You Go, o que significa que você é cobrado automaticamente no cartão de crédito no final do mês caso sua utilização vá além dos recursos gratuitos disponibilizados
Eu possuo algumas outras opções de hospedagem de serviços na internet, tenho meu servidor homelab com IPv4 público, mas dedico o uso desses recursos para serviços que são mais essenciais, além de que eu evito possíveis brechas de segurança que poderiam vir quando você expõe esse tipo de acesso.
O conteúdo do site é hospeado via nginx, que é um servidor HTTP de código aberto. Além dele, está sendo utilizado o LetsEncrypt para gerar o certificado que valida o HTTPS dessa página, e permite uma segurança entre client-server (mesmo que você esteja vendo apenas um site de conteúdo estático onde não está sendo trocada nenhuma informação sigilosa)
Com um tempo de estudo e prática você poderia fazer o mesmo em casa, talvez eu escreva um artigo mais a fundo sobre o free tier da OCI. O único requerimento que pode ser pago seria o domínio em si, o homelab-pedro.com.br foi registrado pelo registro.br, tendo seu DNS migrado para e feito pelo Cloudflare, pois permite um controle melhor e mais opções também.
Você poderia usar um serviço gratuito talvez como o DuckDNS, mas pelo registro.br o domínio é muito barato, eu mesmo paguei 40 reais para registrar ele por um ano, você não ficaria limitado a um TLD específico como o duckdns.org, e também pode esbanjar a soberania brasileira com o .br
Esta forma é a mais simples e conveniente para o setup do blog que eu encontrei até agora, prefiro a modalidade self-host também devido o controle adicional e não ter que depender de uma plataforma terceira.